Acerca de
Algumas de nossas referências são: Evgen Bavcar, Bruce Hall, Pete Eckert, João Maia, fotógrafos com deficiência visual que se valeram pela singularidade de seus trabalhos.
João Maia é fotógrafo de esportes, duas vezes fotógrafo oficial das Paraolimpíadas. Bavcar é professor de Estética na Universidade de Sorbonne e já expôs em vários museus pelo mundo. Pete Eckert fez trabalhos para a Vokswagen e a Playboy, além do trabalho autoral que o fez reconhecido internacionalmente com as suas light paintings.
Metodologia e Conteúdo Programático
A metodologia da Escola de Fotógrafos Cegos tem como ponto de partida o estudo sobre Arte e Fotografia Contemporânea da encenadora, cineasta e videoartista Rejane Arruda, por sua vez baseado na sistematização proposta por Charlotte Cotton.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
MÓDULO 1 - INTRODUÇÃO À FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA
Princípios sobre equipamentos, sua forma de funcionamento, como abertura de diafragma, velocidade e foco; como lidar com a câmera, como posicioná-la; fundamentos da iluminação em fotografia; volumes, ângulos, texturas e enquadramentos na produção da linguagem fotográfica; História da Fotografia; a Fotografia Contemporânea em diferentes modalidades.
Carga Horária: 18 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
MÓDULO 2 - POÉTICAS DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA:
“ALGUMA COISA E NADA”
Tudo pode virar imagem, dependendo de como é enquadrado. Objetos aparentemente sem valor do cotidiano; poeira, entulhos, sujeira, lixo, restos de comida, pratos sujos, frutas em fim de feira, utensílios domésticos, são utilizados com surpreendentes resultados estéticos.
Carga Horária: 18 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
MÓDULO 3: POÉTICAS DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA
- FÍSICO E MATERIAL
A composição com objetos. Com objetos à mão no cotidiano, cria-se esculturas, formas fragmentadas, caleidoscópicas, heterogêneas, provocando a interpretação. A modalidade não define um único estilo, mas permite muitas “brincadeiras” diferentes de composição.
Carga Horária: 18 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
MÓDULO 4: POÉTICAS DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA
- VIDA ÍNTIMA
A vida privada do autor-fotógrafo é revelado com seus personagens. Pessoas próximas, que dividem o dia-a-dia com o autor, são flagrados em momentos íntimos. Esta modalidade não exige a composição de luz ou o que poderia ser notado como “qualidade”. A estética se vale da precariedade e do improviso.
Carga Horária: 18 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
MÓDULO 5: POÉTICAS DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA
- INEXPRESSIVAS
O olhar clínico e distanciado sobre o objeto, funda a estética desta modalidade. O fotógrafo escolhe o objeto a enquadrar, capturando-o da forma mais “crua” possível, como documento ou objeto para a análise, sem envolvimento. Paradoxalmente, o resultado é de uma potente expressividade.
Carga Horária: 30 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
MÓDULO 6: POÉTICAS DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA
- ERA UMA VEZ
A imagem narra. Conta-se uma história através da imagem; apresenta-se um contexto, uma situação; é possível, na imagem, descobrir um roteiro de ações. Esta modalidade exige uma composição minuciosa e um personagem em quadro.
Carga Horária: 30 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
MÓDULO 7: POÉTICAS DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA - REVIVIDO E REFEITO
A citação. De quadros conhecidos, personagens históricos, cenas de cinema marcantes. Recomposição. Identifica-se na imagem, a fonte citada. O autor da foto dentro do quadro ou não. Pode-se utilizar colaboradores ou colocar-se como personagem.
Carga Horária: 30 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
MÓDULO 8: POÉTICAS DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA: DISPOSITIVOS
Constrói-se um dispositivo de intervenção no mundo para o contexto onde os objetos serão fotografados. A modalidade implica a performance do autor-fotógrafo a fim de disponibilizar os meios de produção fotográfica de forma que escape do seu controle. A produção de imagem será determinada pela dinâmica de funcionamento do dispositivo criado.
Carga Horária: 30 horas-aula divididas em Turma A e Turma B
Primeiros Resultados
Entre 2022 e 2023 foram duas turmas de seis pessoas cegas, dedicadas ao ato fotográfico e aos processos de compreensão de aspectos da estética contemporânea da fotografia e da liberdade que esta implica: liberdade e inventividade; poética, desafio ao olhar, às formas, às bordas.
Com uma carga horária de 198 horas e contando com uma equipe de quatro fotógrafos para o suporte da transmissão, a primeira edição do projeto, que contou com patrocínio da ES Gás através da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba, formou um coletivo inédito de 12 fotógrafos cegos total, contribuindo com a sua experiência para as interrogações sobre as relações entre linguagem, imagem, afeto, memória, fantasia e testemunho.
No final de um período de oito meses de curso, foi realizada a exposição “Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto”, com 32 fotografias impressas em backlight fixadas em cubos de grande dimensão, que contou com curadoria especializada permanecendo em cartaz no Parque Moscoso, em Vitória, durante um mês. Em 2024 o primeiro recorte curatorial foi levado a mais quatro novas cidades do Espírito Santo: São Mateus, Linhares, Colatina e Cachoeiro.
Enquanto isso, o processo formativo continuou com um novo ciclo - dedicado a estudos teóricos de novas referências, visitas de fotógrafos profissionais para bate papo com os alunos, novas saídas fotográficas e um novo recorte curatorial para um conjunto de 80 obras, que ganhou o nome de "Aqui Eu Habitei" - com a ênfase na temática "Territórios". O projeto foi patrocinado pela ES Gás com recursos das leis Rouanet e LICC.
Em 2026 a itinerância de "Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto" continua, com novo recorte curatorial, sendo levada a Serra, Cariacica, Aracruz, Anchieta e Piúma - cidades do Espírito Santo - com o patrocínio da EDP, Distribuidora de Energia Elétrica do Espírito Santo e do Grupo Águia Branca, através da LICC.
Agradecemos ao apoio do Governo do Estado do Espírito Santo por meio da SECULT e das prefeituras que nos deram suporte e nos acolheram em cada cidade.